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Colunistas - Reinaldo Baptistucci

A câmara, o pneu e uma história pra contar

21 de February de 2014
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Reinaldo Baptistucci
Karin Birgit Stoecker

Coloquei a última aranha bem presa na garupa da HD, minha bagagem já estava pronta, ao meu lado a Pinny (esposa) amarrava as tralhas dela na garupa da BMW, era só o que faltava para pegar estrada.

Nosso rumo, que no inicio, já estava bem traçado sofreu mudanças radicais, não teríamos tempo hábil para percorrer toda a Rota do Tratado de Tordesilhas, mas de alguma forma tentaríamos chegar o mais próximo possível da fronteira com o Tocantins, passando pelo Paralelo 14, esse era um dos nossos objetivos.

Bom dia enche o tanque, já passava das 11 da manhã e nós estávamos bem longe de Sampa, sem chuva e com pistas boas seguíamos para Goias, nesse primeiro dia rodamos 818 km sem a menor pressa de chegar, anoitece, e o posto onde paramos para pousar, estava lotado de caminhões, chega alguém pra conversar.

- Tão indo pra onde, pergunta o caminhoneiro.
- A Pinny responde:
- Pirenópolis (GO).
- O Rapaz confirma e informa:
- As estradas estão muito boas, mas cuidado, não rodem à noite.
- Sim nós sabemos dos riscos. Logo somos cercados por mais alguns.
- E, lógico o assunto não poderia ser outro - motos e estradas.
- Ficou claro que além da paixão natural que eles tinham por caminhões, a motocicleta também fazia parte do imaginário.
- Um confirma:
- Vocês passaram por mim bem lá trás, foi lindo ver e também escutar o ronco das motos.
- Agradecemos todas as dicas e fomos dormir, amanhã tem mais...

Amanhece e já estamos longe, rodando a 90 Km/h deixamos Minas Gerais para trás com destino a Goiás, pouco trânsito e muito retão. Vamos seguindo, a plantação de soja e milho nesse trecho é feita em grande escala e a paisagem é de um verde esmeralda, lembrando muito o mar do sul da Bahia.

Morrinhos (GO), nos aguardava, com uma surpresa, e nós não fazíamos a menor idéia do que estava por vir, essa é sem dúvida uma realidade que também faz parte da viagem, e você tem que estar preparado.

Um posto, mais um posto, e no próximo encontramos com MC Lobo Negro de Brasília, eles estavam vindo da Serra do Rio do Rastro (SC), e foi muita sorte, pois um dos integrantes do Moto Clube, repara que na moto da Pinny tem um prego no pneu traseiro e nos avisa.

Desse momento em diante a viagem se transforma totalmente, e achar um borracheiro pra tirar a roda da moto e concertar, ia ser difícil por aquelas bandas. A solução mais correta seria entrar em Morrinhos, por lá com certeza teríamos suporte técnico para resolver o problema, mas isso era o que agente achava, porém a realidade dos fatos foi bem outra. “O bicho pegou!”

Apesar de andar de moto há muito tempo, o número de vezes que tive que arrancar um prego do pneu foram raras, e não precisa ser um gênio pra entender que , sempre será um perrengue, mesmo se você tiver com um selante de pneu que ajuda muito, talvez haja a necessidade de trocar de câmara, e infelizmente era o caso da BMW F 800 GS, que tem na traseira um pneu 150 - 70 - Aro 17. 69 V

Parados em Morrinhos na Moto Fama, fomos bem recebidos, mas não achamos o que precisávamos.
Vamos do quê ?
As opções  eram Extravagantes....
1) 110 - 90 – Aro 17 M/C 60 P( Honda Bross 125 cc )
2) 120 - 90 – Aro 17 M/C 64 S
3) 110- 80 – Aro 17 M/C 57 P
4) E talvez uma câmara de um implemento agrícola, que apareceu do nada.

O maldito prego tinha feito um buraco em “L” na câmara da GS, e por precaução devido ao peso da moto aliado a altas temperaturas seria um perigo colocar uma de 125 cc na GS 800 cc, optamos pela de tal agrícola. Uma câmara nova mas um pouco ressecada a meu ver, mesmo assim ela foi pra roda.

Voltamos cuidadosos para a pista e de repente a Pinny some entre os caminhões, ela ia à frente, pilotando a 60 km/h, eu sem perceber ultrapasso um bruto e não a vejo, paro a HD e espero, mas ela não vem, volto e a encontro parada numa curva de alta, um perigo, colocamos o último selante de pneu e saímos à procura de mais um borracheiro, demos sorte, foi próximo de hidrolândia (GO), já estávamos há um bom tempo na estrada e logo iria anoitecer...segue a prosa...

-Boa tarde, nós estamos com esse problema.
-O senhor tem alguma coisa que entre ai?
-É um aro 17?
-Sim.
-Tenho uma Rinaldi RC 17 – 2613
- Ela vai te levar pra Goiânia, explica o borracheiro para a Pinny

Na falta de outra fomos de Rinaldi (Bros 125cc), “Santa Rinaldi”, e fica ai confirmado, que achar uma 150 - 70 – Aro 17 nas estradas brasileiras é o mesmo que encontrar uma agulha num palheiro, nesse dia por precaução dormimos em Hidrolândia, com rumo certo para o outro dia, teríamos sim que entrar em Goiânia, e mais uma vez trocar de câmara, era o mais certo e foi o que fizemos.

Av. São Paulo, Goiânia, pra quem vem de fora é lá que você vai resolver seu problema, fomos direto pra Pneumar, ali substituímos a Rinaldi por uma Pirelli MC 17 que também não era a correta, aproveitei e comprei mais dois selantes e uma câmara reserva.

Eu, Pinny só pensava:

- Ai que sorte a minha, como é que eu resolveria essa parada sozinha? Mas desse episódio tirei duas lições que valeram. Uma - agora eu sei como é que se desmonta a roda traseira da minha F 800 GS. Confesso que fiquei satisfeita em saber que é mais fácil do que eu imaginava. Com o cavalete central, (bendito cavalete), a ferramenta certa e calma dá sim para tirar e colocar a roda, mesmo sendo mulher.  Basta ter jeito e saber o que fazer. A segunda lição foi, que a GS é uma moto segura e de fácil pilotagem mesmo em momentos tensos na estrada cheia de caminhões e com o pneu furado. É claro que a moto muda,  logo se percebe que algo está diferente, mas você não leva susto. Ela não te deixa insegura em situações de risco. E confesso que dá pra manter a calma e desacelerar tranquilamente até a parada total da menina.
 
Resumo da lição: da próxima vez que você entrar em um posto de beira de estrada olhe bem para o chão, é incrível o que tem de metal espalhado pelo piso. Saudável também é levar um jogo (dianteira e traseira) de câmaras novas e uma chave 24 grande pra arrancar o eixo traseiro da F 800 GS.

De Goiânia fomos para Pirenópolis onde passamos três dias, para quem nunca foi, vai uma dica – vá, a cidade é antiga (lembra Paraty) e esta muito bem preservada, boa comida com muitas pousadas a preços razoáveis, resumindo valeu muito ter conhecido esse encantador lugar.

By By Piri , voltamos pra estrada, agora rumo a Alto Paraíso de Goiás, mas antes passaríamos por Brasília, e isso não me agradava, pois enfrentar transito pesado quando se viaja a laser não é muito bom. Seguimos com todo o cuidado percorrendo as avenidas da capital federal, em baixa velocidade e com toda atenção possível, e foi dessa forma que bem lá na frente achamos a placa de Palmas (TO), para mais uma vez por as rodas na estrada com quase nada de transito, maravilha.

Nossa próxima parada seria em Poço Encantado, uma cachoeira no meio do cerrado goiano , já bem perto de Cavalcante (GO), um lugar mágico, percorremos alguns quilômetros por estrada de chão e com essa visita estávamos nos despedindo, já era hora de voltar para Sampa, nosso tempo estava acabando.

Percorremos no total 3.898 km, entre idas e vindas, e na garupa trouxemos amarrados muito mais que fotos e saudades. A reboque veio também uma história pra contar, a da câmara e o pneu.

Câmara implemento agrícola – (Instalada em Morrinhos)
Câmara Rinaldi RC 17 – 2613 (Instalada em Hidrolândia)
Câmara MC 17 – 4.00-17 ou 110/80-17 ou 4.60-17 ou 120/90-17 ou 130/70-17 ( Goiânia)
Câmara MD 17 – 5.10-17 ou 130/90-17 ou 140/70-17 ou 150/70-17 ou 160/70-17 ( SP )

Fica aqui nosso abraço aos irmãos estradeiros
    
Reinaldo & Karin!
 
Reinaldo Baptistucci, mais que um motociclista, contador de histórias e profundo conhecedor do mundo das duas rodas, é um verdadeiro apaixonado por viagens e aventuras pelas rodovias do país e nações vizinhas.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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