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Colunistas - Reinaldo Baptistucci

A linha da vida e da morte

02 de May de 2013
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Reinaldo Baptistucci

Fim da Serra do Mar, Rodovia Anchieta, ultima curva, reduzo e entro com vontade, a moto sem balançar contorna com suavidade todo o trecho "colada" no piso, eu na época (verão de 2005) a bordo de uma Suzy DR 650 vinha pensado em como o fim de semana tinha sido bom, voltava de Parati (RJ) e o céu estava azul da cor do Mar.

Próxima parada seria em casa porém antes teria que passar por alguns trechos de riscos, o trânsito fluía normal, mas mesmo assim toda a atenção era necessária, eu já sabia que estava entrando em uma área MINADA, e mesmo reduzindo a velocidade não deu outra, fui premiado com uma maçaroca de linha 10, um verdadeiro cabo de aço invisível aditivada com cerol que envolveu a moto cortando a carenagem, calça, bota e luva. Foi tão inesperado que na hora parei no acostamento e inocente tentei me livrar daquela teia mortal...impossível, sem um canivete....com o bico da bota e com a ajuda da luva lacei o cerol e fui vendo aos poucos a linha esticar até romper, a bota ficou lascada bem como a Luva.

- Dei sorte ?

- Talvez ?

- Por um mísero PALMO não tive meu pescoço decepado.

O tempo passou e no inverno de 2010, voltando de Aparecida do Norte (SP) com uma Suzy 1500, já bem próximo de São Paulo na Rodovia Ayrton Senna resolvi parar no acostamento e subir a PÉ uma encosta íngreme com maquina fotográfica na mão. O céu estava "qualhado" de pipas, meu objetivo era tirar algumas fotos e quem sabe publicar uma matéria a respeito.

Já no topo da colina fui muito mal recebido, ninguém tava a fim de falar um "A com perninha" sobre o assunto, ventava uma barbaridade e no céu uma verdadeira guerra mortal acontecia. Lá de cima dava pra ver a quantidade de linhas que cruzavam a estrada....retornei pensativo escorregando ladeira a baixo e para a minha surpresa uma viatura da Patrulha Rodoviária estava estacionada bem atrás da Suzuki.

- Boa tarde, documentos por favor.

- Sim

- Na minha mão esquerda trazia um pequeno troféu da escalada .

- Pois não respondi.

- Ato continuo apresentei o "documento".

- Serve este  ?????????? 

- É o meu atestado de óbito.

- Uma autentica e legítima linha chilena.

- Percebi na hora que o assunto era mais sério do que eu imaginava.

- Estamos trabalhando para esclarecer a população de como é FATAL essa brincadeira 

perigosa explicou o Patrulheiro.

-  Mas será a longo prazo, confirma o seu parceiro, pois nessa época do ano a coisa foge do controle e nós também estamos muito preocupados, pois a final rodamos na rodovia diariamente.

- Voltei para São Paulo com uma certeza, o problema é GRAVÍSSIMO e sem dúvida envolve toda a comunidade.

- Eu em particular  acredito que a solução esteja na base de tudo e a palavra mágica é  EDUCAÇÃO  


Abraços aos irmãos estradeiros que ainda estão vivos.

 

Karin Birgit Stoecker

 

Em 1948, outono, Alemanha, Colônio (Köln) meu pai recebe do “Onkel Ernst Strunk” uma caixa fechada. Onkel Strunk tinha uma representação da Opel e muitos contatos. Dentro da caixa uma moto! TALVEZ uma R24 ou R25 da BMW, totalmente desmontada. O grande sonho de um garoto de 17 anos acabara de se realizar. Exatamente 14 dias foram necessários para colocar aquela maravilha para funcionar. Eu como apaixonada por motos até imagino a alegria do meu pai (garoto). Minha mãe conta que ele teve essa moto por muitos e muitos anos até vir como tantos outros imigrantes ao Brasil em 1955. Seu oficio: mecânico de carros.

Meu irmão mais novo e eu aprendemos a andar de moto escondidos do nosso pai, pois ele achava perigoso. Mas não teve jeito! Aos 16 anos subi na Harley 125 (dois tempos) do meu namorado (na época) e depois de 2 tombinhos aprendi a controlar a embreagem.

Curti a moto escondida dos meus pais.

O mesmo aconteceu com meus filhos, nunca ensinei a nenhum deles a pilotar uma moto e os dois aprenderam escondidos da mãe. Coisas do destino? Ou coisas do DNA?

Prefiro achar que a paixão pelas 2 rodas está no sangue e por isso a insistência em querer sentir o vento, a chuva, a liberdade e o prazer enorme de andar de moto. Hoje não abro mão desse maravilhoso transporte, porém tenho pensado muito nos perigos que nós motociclistas enfrentamos. Um deles me arrepia: a tal linha de CEROL ou pior ... a LINHA CHILENA.

É fácil compreender mas é difícil entender o porquê da ENORME dificuldade que policia rodoviária enfrenta em relação a essa questão tão latente e mortal. São MUITAS PIPAS no ar. Passo praticamente todo final de semana por Guarulhos pela Rodovia Ayrton Senna. Nessa época de vento sul fico estarrecida ao ver as crianças na beira da estrada empinando suas pipas coloridas, entrelaçando-as num balé sangrento para quem passa no momento errado. Logo ali o Posto da Policia Rodoviária parando veículos, controlando IPVA, Licenciamento, pagamento do seguro obrigatório, inclusive nosso Controlar.

Mas de que forma advertir e alertar a criançada, QUE NÃO ANDA DE MOTO, do fato claro e cristalino que PIPAS E CEROL não combinam! Acredito que sem dúvida seja uma tarefa para os PAIS, EDUCADORES em conjunto com a própria Patrulha Rodoviária.

De qualquer forma EU e o Reinaldo já instalamos Corta Pipa nas Motos e foram logo duas antenas, pois se a linha vier de través (de lado) uma antena não será o suficiente.

Fim da linha ou não?

Abraços aos amantes do motociclismo.

 

 

Reinaldo Baptistucci, mais que um motociclista, contador de histórias e profundo conhecedor do mundo das duas rodas, é um verdadeiro apaixonado por viagens e aventuras pelas rodovias do país e nações vizinhas.

Fotos: Divulgação



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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