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Entrevista: Alexandre Barros e sua trajetória de sucesso

30 de April de 2014
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Aladim Lopes Gonçalves

Superando as dificuldades da falta de tradição do país nas competições internacionais de motovelocidade, o arrojado piloto paulista Alexandre Barros levou as cores brasileiras para o Mundial de Motovelocidade com vitórias e pilotagens memoráveis que lhe consagraram como uma das grandes lendas da MotoGP no Brasil e em países com mais tradição na competição, como Espanha, Itália e Estados Unidos. Com uma atuação de quase duas décadas na elite da motovelocidade, Alexandre Barros acumula conquistas e experiências que poucos pilotos conseguiram desenvolver em suas carreiras.

Com passagens por equipes representadas pelas principais marcas do Mundial de Motovelocidade, como Honda, Yamaha, Suzuki, Ducati, entre outras, o piloto brasileiro teve sua trajetória marcada por parcerias de sucesso com grandes pilotos, como Kevin Schwantz, Randy Mamola, Eddie Lawson, Nick Hayden, entre outras feras, e equipes que sempre o recebem com entusiasmo e reconhecimento.

Tamanha experiência é usada ainda hoje em causa da motovelocidade brasileira e da sua própria equipe, a Alex Barros Racing, que corre com a superesportiva alemãs BMW S 1000 RR HP4, e do seu centro de treinamento, o Alex Barros Riding School, que trabalha para formar novos talentos para as pistas. Em um bate-papo com a equipe do MOTO.com.br, Alexandre Barros revela um pouco sobre o trabalho de manager de equipe em mais uma disputadíssima temporada da Moto 1000 GP e da sua atuação também como instrutor e piloto para acompanhar e estimular os resultados dos seus pilotos.

MOTO.com.br: Conte como foi o seu primeiro contato com moto e como iniciou a carreira de piloto?

Alexandre Barros: Meu primeiro contato com a moto foi quando eu tinha três anos de idade. Em um dia, meu pai tirou do porta-malas uma moto pequena (de uma marca italiana), e quando eu vi a moto, achei que era para meu irmão mais novo (na época com um ano), porque ela era realmente bem pequenininha. Mas aí meu pai disse que era para mim, e nem deu tempo de ele me dizer onde acelerava, ou como a moto funcionava, eu subi na moto, e saí como um ‘louco’. Eu comecei deste jeito. Meu pai era ciclista e ia pedalar na USP [Universidade de São Paulo] e me levava junto, e eu ficava ali no estacionamento dando umas voltas na moto. E aí peguei gosto. E desde pequeno eu sempre quis desafiar os grandes, os meninos maiores que eu. Sempre fui competitivo, mas acho isso legal, porque te força a querer se superar sempre. Alguns anos mais tarde, em 1978, fiz minha primeira corrida em Interlagos, eu tinha sete anos, e venci a primeira disputa que participei.

MOTO.com.br: Como é essa transição de piloto para manager de equipe? É mais fácil acelerar na pista ou atuar nos bastidores, cuidando da equipe?

Alexandre Barros: É uma transição difícil. Quando você é piloto você se preocupa somente com você e com seus compromissos. Mas quando você tem uma equipe, aumenta a gestão, porque é um trabalho com várias pessoas, tem toda a parte técnica. Tenho que me preocupar também com os materiais, as peças, viagens. Tem o compromisso com os patrocinadores, além de ter que depender de terceiros, entre outras coisas. A demanda de gerenciar uma equipe é muito maior. E com certeza é mais fácil acelerar na pista, do que ser dono de equipe. Já tinham me dito isso, e é verdade. Mas eu gosto muito e me divirto bastante com os pilotos. E quando você gosta do que faz, vira diversão. Mas eu ainda sou piloto, e muitas vezes, estou andando com os meninos. E quando eu ando, a minha ideia é ajudar ao máximo no desenvolvimento da moto, justamente por eu ser mais rápido tecnicamente, e por ter mais conhecimento. Eu quero ensinar os pilotos, porque andando com eles, ali lado a lado, eu consigo desenvolvê-los mais rápido do que ficando apenas no box.

MOTO.com.br: Como maior piloto de motovelocidade do Brasil, como você vê as competições e o surgimento de novos pilotos no país?

Alexandre Barros: As competições no Brasil estão crescendo muito, a passos gigantes. De 2011 – quando começou o campeonato Moto 1000 GP –, para cá, a competição já está indo para a quarta temporada. E o nível técnico, as equipes, a organização, o público, o desenvolvimento das equipes, e o índice dos pilotos também estão aumentando e melhorando. E tudo isso ajuda no surgimento de novos pilotos, pois aumenta o interesse. O motociclismo brasileiro vive, sem dúvida, um bom momento. Tanto que o Moto 1000 GP pode ser considerado um mini mundial, temos nesse campeonato sete ou oito nacionalidades correndo no Brasil. E por experiência posso dizer que não é qualquer campeonato nacional que você vai e pode ver tantas nacionalidades. No italiano, por exemplo, só tem pilotos italianos, e não tem nem outros europeus. Aqui, temos português, francês, argentino, venezuelano, entre outros. E vindo pilotos de fora, acaba gerando notícias fora do Brasil também. E as pessoas começam a acompanhar, gerando mais visibilidade aos pilotos brasileiros e às competições do país.

MOTO.com.br: Com o cancelamento da etapa de Brasília (DF) o Brasil perdeu a oportunidade de voltar a realizar as provas da MotoGP. Você acha que um calendário sul-americano com provas da MotoGP e do Mundial Superbike no Brasil e Argentina pode ser viável para 2015 ou 2016?

Alexandre Barros: É muito viável sim. E acredito que o que vai acabar acontecendo, e será muito bom, é transformar o Campeonato Brasileiro em um Latino-americano, que pode ser Brasil/Uruguai/Argentina. E dentro do Brasileiro pode ter duas provas válidas pelo Latino-americano. E depois faz uma etapa no Uruguai, mais duas na Argentina, que tem a pista do Mundial. E apesar de já terem noticiado que o Brasil não terá a etapa do Mundial, não acredito que o país esteja totalmente descartado, pois existem negociações rolando e há um interesse grande em trazer o Mundial para cá. Vamos ver como isso vai ficar.  

MOTO.com.br: Qual o melhor caminho para se tornar um piloto de motovelocidade?

Alexandre Barros: Entrar para a equipe Alex Barros Racing (brinca o chefe da equipe). Claro que isso é uma brincadeira, mas nosso time é um canal, como existem tantos outros canais, tantas outras equipes. O começo é bem difícil, precisa antes de tudo, ter vontade e querer. Ter uma moto é fundamental, porque ninguém vai comprar a moto por ele. Depois, ele precisa andar, treinar e aparecer em treinos e testes das categorias, e se mostrar. Se ele for bom, se tiver talento, pode ter a chance em alguma equipe, algum empresário olhar e se interessar e chama-lo para fazer um teste. E esta é a única forma de ter alguma chance. Especialmente porque no Brasil, não tem um programa como tem na Espanha, que um patrocinador banca um evento para fazer uma peneira, uma seletiva, e abre inscrição para todo mundo, independente de classe social, e ali são escolhidos aqueles que realmente são bons. Então tem que ir atrás, tem que buscar. Mas no começo é o pai, a família que custeia isso.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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