Publicidade

Aprendendo a andar de moto

17 de April de 2007
Aprendendo a andar de moto
Ver galeria de fotos
Aumentar tamanho do texto  Diminuir tamanho do texto 
Leandro Alvares

Há 1 ano e cinco meses, este jornalista que vos escreve exerce a função de reportar, diariamente, os principais acontecimentos do mundo do motociclismo. Mas apesar de estar imerso no segmento das duas rodas, vosso escriba jamais havia pilotado uma motocicleta.

Na última sexta-feira, porém, um curso básico de pilotagem promovido pela Honda, em Indaiatuba (SP), ensinou um grupo de 13 jornalistas da mídia especializada a conduzir uma moto de maneira correta. A ação de aprendizado foi realizada no CETH (Centro Educacional de Trânsito Honda).

As atividades começaram cedo, por volta das 7h30. O passo inicial de ensinamento da primeira turma de repórteres de 2007 foi a instrução teórica, que nos apresentou a uma motocicleta.

Robson Clauss foi o instrutor responsável por dissecar o veículo nos mínimos detalhes na chamada inspeção preventiva: checagem de componentes eletrônicos, comandos e cabos, pneus, óleo, combustível, freios, corrente, bateria, equipamentos de segurança e proteção, postura correta de pilotagem, técnicas de frenagem, posicionamento da moto no trânsito e pilotagem defensiva foram alguns dos assuntos abordados durante a manhã.

“Nosso objetivo aqui é iniciar o aprendizado de forma correta, um processo de educação que, no Brasil, não tem essa profundidade”, destacou Kalunga, outro instrutor que participou da educação motociclística dos jornalistas, ao lado também de Fábio Bonatto e dos gêmeos Gildo e Gilson Marques.

“As moto escolas ensinam, atualmente, o aprendiz a passar no exame, apenas isso. Todo candidato a motociclista, nas 15 horas obrigatórias de teoria que tem nas escolas de moto do país, não recebe informações de como conduzir a motocicleta. E é exatamente isso que queremos mudar”, afirmou Kalunga.

Aprendizado e mudança de comportamento

Esta frase foi muito valorizada e repetida durante o dia de curso básico para jornalistas. E se tornou, de fato, a principal moeda adquirida nesta experiência. Foram quatro horas que passamos sentados nas carteiras, mas fundamentais para o período vespertino, quando finalmente partimos para a parte prática.

Pouco antes de seguirmos para as motos, conhecemos e experimentamos os simuladores de pilotagem do CETH. Tivemos a sensação de estar realmente no trânsito e, dada a dificuldade inicial de se familiarizar com o programa, alguns começaram a ficar tensos para, na seqüência, conduzir as motocicletas de verdade.

“Fazer isso aqui, tudo bem. Eu só espero que você não saia da moto em movimento quando estivermos na prática”, disse Gilson Marques à jornalista Adriana Giachini, da Agência Anhanguera de Notícias.

A repórter de Campinas, aliás, deixou a sua impressão sobre o curso de pilotagem. “É legal você ter a visão de como ser um motociclista, enxergar o outro lado que não o do motorista de carro. E muito importante pensarmos nesta filosofia de pilotagem com segurança para diminuirmos o número de acidentes. Cautela no trânsito nunca é demais”.

Os primeiros metros de um novo motociclista

A ansiedade era grande, os braços estavam tensos, o coração acelerado. Estava a alguns instantes de pilotar uma moto. A primeira coisa que fiz, seguindo as instruções de Gilson Marques — os instrutores foram essenciais e muito atenciosos neste programa —, foi sentar na máquina e começar a descobrir seus detalhes.

Já com capacete e luvas vestidos, um ato que sequer precisou da lembrança por parte dos professores graças à boa educação transmitida no módulo teórico, dei a partida no modelo, uma CG 150. A primeira moto, como dizem, a gente nunca esquece.

Ainda no cavalete, Gilson pediu para acionar a embreagem, engatar a primeira marcha e simular uma saída. Para a minha felicidade, ela não “morreu”. “Se estivesse no chão, você estaria em movimento”, animou-me o instrutor. Passo seguinte: desligar a moto, tirá-la do cavalete e dar um passeio com ela, sentindo o peso e, mais uma vez, buscando uma maior familiaridade e confiança.

Chegou a hora da verdade. Novamente sentado na motocicleta, agora sem o cavalete, parti rumo à quebra de uma barreira; os primeiros metros como um piloto de moto. O mais difícil, no início, foi relaxar os braços, o que com o tempo deixou de ser um problema. Claro, como não poderia ser diferente, deixei o motor “morrer” algumas vezes. Admito, várias vezes. Mas este foi um outro detalhe superado na medida em que ganhava quilometragem.

Interessante mesmo foi observar as manias que, segundo Gilson, são comuns dos aprendizes, como olhar para o chão e para o guidão, ao invés de se concentrar com o que vem à frente — lembrei de quando aprendi a andar de bicicleta. E ao observar os demais colegas de profissão, homens e mulheres, notava o mesmo.

Do grupo, não eram todos inexperientes. Os que já sabiam pilotar realizaram um trabalho diferenciado, de correção dos eventuais erros e vícios de pilotagem e desenvolvimento de técnicas, como condução nas curvas e frenagem.

Leonardo Bussadori, um dos jornalistas presentes, foi um caso a parte, pois não andava de moto há 16 anos. “Para mim foi uma relembrança e recomeço correto. Quando a gente aprende a andar de moto, geralmente é com o pai, com o irmão e pensamos que estamos fazendo tudo certo, quando na maioria das vezes não é o caso. Eu saio do CETH com a noção do que é realmente certo”, ressaltou.

Outros três modelos no currículo

Após conseguir a primeira mudança de marchas e ganhar maior confiança na CG, parti para a troca de equipamento. A segunda da lista foi a NXR 150 Bros, máquina muito gostosa de pilotar, na opinião deste iniciante. Em seguida, pilotei dois modelos de 250cc: CBX Twister e XR Tornado.

Se tivesse de eleger a preferida, ficaria com a Twister, uma moto bastante confortável que transmite segurança. A posição das pedaleiras me impressionou, por ser mais recuada e de estilo esportivo, segundo explicou-me o instrutor Gilson.

Mas o mais gostoso de tudo, observado em cada uma das quatro motos, foi a sensação e o barulho do vento. Um sopro formidável, próximo de um assobio, que causa arrepio e aumenta o desejo de pilotar.

Fim da tarde, hora de se despedir das motocicletas. Engraçado isso: a transformação do medo, ou melhor, a perda dele e o surgimento do prazer de guiar uma moto. Pilotar com consciência, educação e respeito; uma trinca de valores que deveria ser obrigatória para todos os centros de formação de condutores.


CETH: nove anos de história

Instalado em 1998 na cidade de Indaiatuba, o Centro Educacional de Trânsito Honda já formou 58.768 pessoas. Do curso básico, semelhante ao ministrado para os jornalistas, saíram 5014 motociclistas educados.

No ano passado, a fabricante de motos inaugurou uma nova unidade do CETH, instalada em Recife. “Esperamos, no futuro, ter muitas outras sedes e que as montadoras concorrentes também invistam neste trabalho, feito exclusivamente para valorizar o motociclismo no país e cultivar um melhor comportamento dos condutores no trânsito”, concluiu o instrutor Robson Clauss.

Algumas concessionárias autorizadas Honda já oferecem o curso de pilotagem para seus clientes. Para maiores informações, ligue 0800 701 34 32 ou acesse o site www.honda.com.br.


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

Para comentar essa notícia é necessário estar identificado no site!


Identifique-se aqui!


Caso não possua cadastro, não perca tempo cadastre-se agora mesmo!



Comentarios ( 11 )

José Aloisio - São Paulo / SP
postado em: 27/07/2007, 14:48:57

Jornalista Leandro, procure também fazer um curso de motos trail, croosss, enduro, para aprender a pilotar na terra, areia, e nas chuvas das Grandes Metropoles. depois faça um curso de motovelocidade, para aprender a gostar de motos velozes, e depois um curso de mecanica, mesmo que seja por correspondencia pra fazer tua propria manutenção, e saber quando tiver problema, como orientar um mcanico qual foi o problema. e mostrar que entende do assunto também. depois dissso vá viajar, passear, etc.
denuncie este comentário



Leandro Alvares - São Paulo / SP
postado em: 23/04/2007, 13:17:40

Pois é, Alessandro. Seria ótimo se nós, jornalistas, pudéssemos absorver plenamente tudo o que cobrimos. Maravilhoso se o repórter de F-1 soubesse pilotar um carro da categoria, se o jornalista de economia tivesse um curso nesta área...Aliás, isso seria ótimo para todas as pessoas, não apenas nós, formadores de opiniões. E agora, felizmente, aprendi a andar de moto. Abraço.
denuncie este comentário



Alessandro - São Paulo / SP
postado em: 22/04/2007, 16:24:10

Eu nunca poderia imaginar que um jornalisata que cobre motococlismo nao pilota motos. Simplesmente absurdo. E esse negocio da Honda parece brincadeira de criança (criança pequena). Pelo amor de Deus, nao existe motoqueiro jornalisata?
denuncie este comentário



satan - São Paulo / SP
postado em: 21/04/2007, 22:44:09

aula boa é entrar na marginal esburacada com milhares de motoristas de carro mudando de faixa sem sinal. além dos cachorro-loko te empurrando no corredor a 80km por hora. acorda que a realidade da matrix é diferente e essa sensacao de seguranca do cursinho da honda... ilusao.
denuncie este comentário



Dede (Tropeiros do Asfalto MC) - Campina Grande / PB
postado em: 21/04/2007, 18:08:54

Muito bom saber que mais uma pessoa entende que a motocicleta é um veículo, pois mesmo que vc não pilote outra vez, a partir de agora vai ter mais respeito por elas. Nós motociclitas agradecemos imensamente.
denuncie este comentário



Reginaldo Lobo - São Bernardo do Campo / SP
postado em: 19/04/2007, 11:00:34

Cara, vc foi "picado" pelo o prazer de pilotar uma moto, parece piegas dizer isso, mas é uma sensação de liberdade que vc só vai ter ideia no dia em que pilotar uma, e depois disso acredite ou vc ama ou aceita de que não é pra vc, por conta apenas de dominio do medo,SEJA BEM VINDO AO MUNDO DAS DUAS RODAS agora batizado e vacinado pelo os doutores do CETH. Um abraço Leandro e boas aceleradas !!!
denuncie este comentário



Leandro Alvares - São Paulo / SP
postado em: 18/04/2007, 15:22:57

Muito obrigado pelos comentários, pessoal. Sinto, realmente, que entrei num caminho sem volta. Andar de moto, com consciência, é maravilhoso. Abraços...
denuncie este comentário



Edson - São Paulo / SP
postado em: 18/04/2007, 11:56:07

Fala Leandro!!! Você entrou num caminho sem volta HAHAHAHA!!! Creio que logo você estará comprando uma moto. Sábado estarei lá no CETH com o pessoal da Federação de Motoclubes. Seu texto está bem bacana e sua cara nas fotos está muito engraçada. Abraços. Edson (PUC)
denuncie este comentário



ROSAEL HEBER - Astorga / PR
postado em: 18/04/2007, 08:40:44

MEUS PARABÉNS LEANDRO. MAIS UM APRENDIZADO NA SUA CARREIRA !! SÓ QUE O PESSOAL DO TREINAMENTO DEVERIA APRESENTAR A VCS TBM, UMA MOTO DE BAIXA CILINDRADA RECÉM LANÇADA NO MERCADO. A POP 100 (QUE DIGA-SE DE PASSAGEM,É FEIA PRA BURRO !) MAS COMO A HONDA LANÇOU À POUCO TEMPO, SERIA INTERESSANTE DA PARTE DELES DIVULGAREM A MOTO,QUE É MUITO GOSTOSA DE PILOTAR, SÓ QUEM ANDOU PODE DIZER ISSO, BOM FICA PARA A PRÓXIMA NÉ ? ABRAÇOS A TODOS .........
denuncie este comentário



Marcelo Altamiro - São Paulo / SP
postado em: 17/04/2007, 23:24:14

Bacana Leandro! agora podemos ir juntos ao Ibira moto point ou corridas em Interlagos.Tem coragem? Abraço, Marcelo.
denuncie este comentário



Gian Calabrese - São Paulo / SP
postado em: 17/04/2007, 16:22:25

Congratulações Leandro! ...e boa sorte em sua nova carreira de motociclista! Grande Abraço Gian Calabrese
denuncie este comentário





© Copyright - 2006 | MOTO.com.br | Todos os direitos reservados | All rights reserved.
Resolução Mínima: 800x600 | powered by Atom Tecnologia